Tangueiros, segue mais uma tradução das palavras da grande maestra Olga Besio, referência magistral de musicalidade. O texto original foi publicado no Facebook e com larga repercussão. No post inicial, Olga resume: "Por favor, deixem de confundir musicalidade para bailarinos com Música. Tampouco é história das orquestras". Segue o restante:
"Faz mais de 35 anos que sou docente de tango, e muitos mais em outras disciplinas. Nós que temos uma formação profissional como docentes/bailarinos, estudamos música também, e durante muitos anos. Mas ´a musicalidade de baile´ se refere fundamentalmente a saber utilizar determinados recursos técnicos de movimento para alcançar determinados resultados, que não transcrevem textualmente o feito musical, senão que realizam uma "tradução" compositivamente equivalente. Isso varia de uma dança a outra; não é o mesmo o ballet clássico que a dança contemporânea, e muito mais ainda difere o tango, entre outras razões por ser uma dança de pareja (casal), na qual cada um é parte do outro, independentemente do tipo de abraço, o qual faz que a relação entre espaço e tempo, e portanto música, deva ser percebida e compreendida de uma maneira particular.
O tangueiro pensa, sente e escuta com 4 pés. Quanto aos docentes profissionais de baile, sim conhecemos a maneira de contar dos músicos, mas também usamos outras. Sim, é importante que os bailarinos saibam música, mas é necessário que conheçam claramente a diferença entre pensar e sentir como músico ou como bailarino. Pisar as semicolcheias seria "mortal", não pela dificuldade física, mas porque estariam destruindo a musicalidade do baile.
Saber música é importante e muito necessário para os bailarinos profissionais, mas no tango há uma etapa prévia sine qua non, que é a de uma compreensão profunda do tango popular - nesse momento, os conhecimentos de música (técnicos específicos, nota da tradução) não são necessários e pedagogicamente correspondem a outra etapa. O que necessitamos ao princípio é cultivar a musicalidade natural própria desse baile no sentido que expliquei mais acima, qualidade essa que sempre tiveram os bailarinos/milongueiros do passado, sem saber música".
Olga Besio.
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Tradução: Roberta Barreto
Nota da tradutora:
Para finalizar, relembro uma aula que tive com Olga, em que ela muito belamente me ensinou: passar da Música para o baile é como traduzir poesia de um idioma a outro. Não se pode ser tão literal, senão a poesia morre.

Muito bom! Acredito que estudar, sentir, experimentar, tudo é válido em busca da tão sonhada conexão com a música e com o Tango. Obrigada por compartilhar Roberta, bjins! :*
ResponderExcluirParabéns Roberta. Esperando, ansiosamente, pela próxima postagem.
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