Bailar ou não bailar, eis a questão
Texto original de Fernando Sanchez
Original em https://www.facebook.com/fernet83/posts/10157006720843916
Original em https://www.facebook.com/fernet83/posts/10157006720843916
Tradução: Roberta Barreto
Hoje já não cabe na cabeça de ninguém que
esteja pensando no Tango realmente a discussão entre Tango Nuevo ou Salão, abraço aberto ou fechado, Piazzolla sim ou
não... Hoje creio que existe, depois de todas essas inertes oposições, uma nova
velha e mais preocupante: bailar ou não bailar.
Cabe então nos perguntarmos:
que significa bailar Tango? E aí já estamos perdidos, porque dizer bailar Tango
se traduz em bailar em casal e esse conceito é, às vezes, pouco pensado.
Bailar em casal não significa
mover-se juntos em um momento específico. Bailar
juntos é escutar ao outro com o corpo, constantemente, haja ou não movimento. Não
tem a ver com o quê, mas sim com o como. Por isso podemos bailar em casal
não somente Tango, senão outros ritmos.
Bailar em casal tampouco se
reduz a fazê-lo bem ou mal, senão a um conceito mais simples e genuíno, ao
feito de que seja real. Quer dizer, baila bem aquele que esteja bailando de
forma real, com honestidade e critério, ainda que o passo lhe saia mal. Que lhe
saia bem é uma questão de tempo e trabalho, mas que seja real é uma questão de atitude.
O presente do Tango nos
mostra que o que temos deixado de fazer é de bailar; movemo-nos juntos, mas não
bailamos juntos. E não é culpa do que não sabe e vai aprender, ou do que crê
que sabe e vai ensinar, senão que é a responsabilidade de um como indivíduo de
não estar com a pessoa que escolheu estar. Não é um problema do Tango, é uma
carência social.
Talvez não se trate de buscar
culpados nem responsabilidades, mas de começar a fazer isso que temos deixado
de fazer sem nos darmos conta ou que nunca começamos. Escutar-nos. Bailar não é
mover-se.

Comentários
Postar um comentário